Quinta-feira, Dezembro 03, 2009

Mas o mais importante é

Dois milhões em níveis de pobreza, quatro milhões de iletrados, desemprego a atingir os 10% e a Igreja preocupa-se com o casamento entre pessoas do mesmo sexo (Padres apelam ao referendo nas missas). Opções legítimas, é certo, e profundamente reveladoras. Sobre o papel do Governo nesta escolha, já nele falei. Haja inteligência.

Jura?

Os estudos que comprovam o que todos sabemos mas que teimamos em não reconhecer: "só um (português) em cada cinco tem nível médio de literacia". É mais um sintoma da carneirização da sociedade: o que não entendo nem sequer tem que me chatear. Há algures debaixo da terra um senhor chamado António que deve que rir às gargalhadas.

Bom Dia


Cenas do Quotidiano, A. Melo Alvim

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

Esquerdices

A resposta certa, sugere Daniel Cohn-Bendit, é “os mais ricos dos países muçulmanos retirarem o seu dinheiro dos bancos suíços”. A resposta não é gastem nos vossos próprios países a melhorar a qualidade de vida de quem lá vive. Não. A resposta é retirar o dinheiro da Suiça.

Para vosso conhecimento

“Um olhar uno”: Sandra Bernardo fotografou, Daniel Abrunheiro poetizou, numa visão particular sobre crescer, trabalhar, viver, amar, ser homem e mulher em Portugal.

Poesia e fotografia unem-se num amor profundo por uma terra autêntica, gerando um retrato real sobre o ciclo da vida focado na mulher como fonte de luz, vida e renovação.

Agora disponível para todos em
.pdf no Scribd, e em suporte de papel numa edição “print-on-demand” (POD) na Bubok.pt por 16,91€ mais portes.

Zeitgeist

Todos sabiam que uma mulher era espancada violentamente, mas ninguém acreditava que podia acabar como acabou. Todos são culpados. Todos.

Eram rosas, senhor

Obama vai mandar mais 30.000 soldados para o Afeganistão. Change we cannot believe.

Se isto aparecia dia 1 de Dezembro era bem mais giro

Sobre a notícia que todos os dias há um bébé português a nascer em Espanha só me apetece destacar isto:

As grávidas são acompanhadas em Elvas e apenas vão a Badajoz às 20 semanas fazer uma ecografia morfológica e uma consulta. Um quarto privativo para cada mãe com um sofá reclinável para o pai ou outro familiar poder pernoitar são características únicas numa unidade pública e, por isso, quem por ali passa só tece rasgados elogios.

Dúvidas

Independentemente dos arrepios que o recente voto suíço provocou (proibição da construção de minaretes) por tudo quanto significa em sede de liberdade religiosa, levantam-se duas questões - uma directamente relacionada com esta questão e outra como mera constatação.

A primeira prende-se com o facto de estranhar que não se exija reciprocidade de direitos entre mundo islâmico e mundo ocidental: faz tanto sentido deixar-se construir uma mesquita, com minaretes, na Suiça como construir uma igreja (independentemente de qual o ramo cristão) na Arábia Saudita, mas esta última já não é permitida. E, note-se, as casas de culto muçulmanas não são proibidas, mas sim os minaretes (sim, eu sei, também não tem grande jeito construir uma igreja sem torre sineira). Por isso, se vamos discutir a questão, vamos também ver a big picture. Não que uma coisa desculpe a outra, mas sem se discutir questões como religiões em pé de igualdade, tudo serve para acicatar ódios.

A outra prende-se com a questão da nova Igreja de São Francisco Xavier em Lisboa. Já se foi buscar a Sagrada Família (e daqui a um bocado vai-se buscar a Torre Eiffel) para justificar o alegado arrojo visual. E quais os limites para uma questão que envolve religião, urbanismo e arte?

Bom Dia


Teenager, A. Melo Alvim

Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Assim de repente

Lula não quer ter nada a ver com o que se passou agora nas Honduras, mas o que é certo é que recebeu com pompa e circunstância um senhor que ganhou eleições fraudulentas no Irão. Chamar os outros de babaca deve ser mesmo desporto nacional do/no Brasil. Noutras paragens há quem lhe chame "realpolitik". Não é bonito, mas também ninguém se comporta como virgem ofendida.

Quem os entende?

Na Economist desta semana um artigo perturbador: quanto maior a oferta tecnológica menor é a oferta criativa. Quem gosta de coisas que as massas não gostam só aparenta ter um remédio: pagar mais por isso mesmo (exemplo: HBO). Logo abaixo da superfície a constatação que todos desejam é ter um denominador comum em termos de gostos sociais. Perturbador? Muito preocupante.

Bom Dia, Europa?


Depois de um parto demoradíssimo, nasceu esta nova Europa. Pais ausentes ou negligentes, parteiros desconhecidos, antepassados com traumas e desequilíbrios vários, a História de um continente que nunca há-de digerir a sua diversidade, vive hoje o início de um novo capítulo. Uma imensa página em branco, apesar do que já escreveram nela. Para quem, como eu, ama este continente em toda a sua esquizofrenia, para frente haveria de ser só o caminho, mas o problema é que quem manda ama-se apenas a si.

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

Sem título

Sinceramente não me apetece escrever. Há alturas em que já não há paciência para absolutamente mais nada. Uma pessoa, quando leva o mundo demasiado a sério, embrutece. Que se lixe isto, que se lixe tudo, deixa-me levar a minha vidinha, onde pelo menos há um juiz de mim próprio e é perante ele que giro a minha consciência. Agora olhar para fora, para um quadro de absoluta ausência de referências enoja, à falta de melhor palavra. Não há Estado de Direito que nos valha e apesar de não existir uma corrupção endémica, há provas claras que a estrutura social está fortemente corroída. Resta saber é se alguma vez houve uma estrutura social... Felizes dos que se lixam para tudo porque será deles o reino da terra. E os outros? Esses bem podem refugiar-se em amizades sãs, em palavras inspiradoras e no seu pequeno reino nesta terra, rodeados daquilo que, sendo janela sobre o mundo, lhes sobra e chega para acharem que ainda podem fazer a diferença. Não a diferença sobre todos, mas sobre aquele que importa: ele próprio. No fundo, o mundo está à distância de uma janela que convém manter fechada. Assim o vemos e assim ele não nos incomoda, pelo menos não mais do que aquilo que realmente pode incomodar. E assim, sem cair em cinismos e hipocrisias sociais, sem exigir mais de nós próprios, podemos trilhar um caminho, sem cair na lógica de uma ilha, um arquipélago, vá, em que a distância dos outros não é tal que deixa de fazer sentido a vida social que se tem. Torna-a é mais aceitável, verdadeira ou algo do género. O resto reduz-se bem a uma expressão: desde que tenha o que garanta um sorriso nos olhos, estimo bem que o que me rodeia arda nas fogueiras da futilidade que por aí abundam. E aqueles exemplos que, não sendo os meus, nem de actos nem de palavras feitos, mas contudo parecidos pela procura da felicidade interna, se vão fazendo desejo-lhes o mesmo fim: serem capazes de se erguer, não como faróis, que nunca iluminarão quem despreza a luz, mas como pessoas que sabem que, no meio de tudo, há um caminho para percorrer, sem inimizades, sem sobrancerias, mas única e simplesmente por nós próprios. Por sabermos que não sendo tudo igual, tudo precisa de referências, que reconheçamos nos outros e em nós próprios. Estranho? Talvez. Antes dúvidas no caminho a percorrer, que certezas nas ideias sobre tudo. Palavra minha.

Quinta-feira, Novembro 26, 2009

Espírito da época

Porque é que não se deve comprar presentes no Natal.

Memória


Para não esquecer o Holocausto: Memoshoa. E para quem gostar de murros no estômago, atendendo que o Natal está aí à porta: As Benevolentes, de Jonathan Littell.

Sinais dos tempos

Costuma dizer-se que os Católicos vão à missa ao Domingo para pedirem desculpa pelas asneiras que fizeram durante a semana e poderem, na Segunda, recomeçar a fazê-las. No caso português, as eleições têm um efeito parecido: o que se passa antes é expurgado pelos resultados eleitorais, mesmo que sejam questões de legalidade e/ou responsabilidade e depois das eleições, pode-se fazer reiniciar tudo de novo. Parece que tudo se esquece do óbvio: a legitimidade eleitoral é instrumental e não um dogma. Afinal, até os Nazis conseguiram ganhar eleições...

Um outro Bom Dia

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

E eles continuam

“Vice” da bancada do PS “estupefacto” com manutenção de Fernando Lima em Belém. Lembrei-me de mais uma anedota: aquela em que vai um padre ao bordel e, no meio da animação, chega a polícia e faz uma rusga, pedindo identificação às meninas. Nisto começam elas "eu sou dançarina", "eu sou estudante", "eu sou bailarina" e por aí adiante até que o padre diz "querem ver que a puta aqui sou eu?"

Ainda não tinhamos dado por ela...

Amigos, amigos, negócios à parte

Juan Luis Cebrián diz que nunca viu o "Jornal Nacional", mas que “amigos” o alertaram contra o estilo daquele programa. Lembrei-me daquela anedota do "Mãe, pão com queijo é tão bom!Porquê, comeste? Não, vi comer."

Também é dia de lembrança

Ainda que 34 anos depois subsistam pruridos (fruto, entre outros, da nossa díficil relação com a História), cada vez há menos dúvidas quanto aos méritos do 25 de Novembro de 1975. Sem prejudicar ou ensombrar a dádiva do 25 de Abril, sem esta segunda data a janela de esperança bem podia ter-se fechado numa repugnante deriva totalitária, desta feita à extrema-esquerda.

Cenas

Eu imagino apenas o que um realizador norte-americano não era capaz de fazer com isto (a discussão sobre o que é ser-se Francês). Bem mais razoável é a opção alemã do contrato de direitos e deveres para sustentar uma lógica de integração.

Bom Dia


Madona e o Bambino, A. Melo Alvim

Terça-feira, Novembro 24, 2009

Bom Dia



Crepúsculo, A. Melo Alvim

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Ponto de ordem

A questão da vacina da Gripe A, com todo o burburinho que aí anda, face às últimas notícias, levanta preocupações a qualquer pessoa. Mas devemos manter-nos atentos e não perder o espírito crítico. E isso passa por ter cuidado com a forma como lê algumas notícias e como divulga alguma informação pela net, sem ter o cuidado de ver se é verdadeira ou não, contribuindo para alarmar ainda mais muito boa gente que, só por si, já anda preocupada. Por isso, e já que muitos jornalistas insistem em noticiar sem salvaguardar as possibilidades existentes, quando virem alegadas ex-ministras da Saúde da Finlândia a divagar sobre teorias da conspiração, usem o mínimo de bom senso. Se têm tempo para ver estas coisas, também o terão para confirmar a veracidade. É que até agora, não só os números são normais (sim, porque antes disso também morriam 300 por ano e ninguém falava), como há explicações para os dois casos que levaram com o holofote mediático. Bom senso a lidar com informação, só isso.

Bom Dia


O Homem do Rabecão, A. Melo Alvim

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Já agora

Admito. Duvidei muito seriamente sobre a capacidade de chegar lá. Parabéns e que se aprenda com todos os erros desta fase de qualificação (que foram muitos) para evitar um novo 2002. E sim, ainda ninguém passou de besta a bestial.

A minha costela Irlandesa está em sofrimento.

Lado lunar

O Face Oculta lembra-me isso mesmo: o gigantesco lado lunar da nossa sociedade. A questão da implicação das escutas, lembra-me ainda outra coisa: a Justiça é cada vez mais um mero wishful thinking. Já o pseudo-silêncio de Cavaco se explica pela tempestade que semeou com os jogos a que se dedicou recentemente. No meio de tudo isto, ainda alguém se espanta que tenhamos recuado no índice de percepção de corrupção? Afinal, se este é o estado normal das coisas, se só é estúpido quem não o faz, se calhar está-se bem e nem vale a pena falar mais sobre isto. Ah, e hoje há bola.

Sinais dos tempos

Portugal é um lugar tão estranho que até para emitir a opinião sobre a construção de uma igreja há quem se recuse a dar a cara.

Bom Dia


Foi há 24 anos que nasceu uma das melhores BDs de sempre. E não, não tencionaria chamar Calvin a um filho meu.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

O que faz falta...

Um bálsamo para a vossa semana.

Bom Dia


Azulejo V, A. Melo Alvim

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Numa manhã destas...

... só posts destes para me reconciliar com o mundo.

A propósito dos Rammstein

Bundesprüfstelle für jugendgefährdende Medien [BPjM; Departamento Federal de Exame de Media Nocivos à Juventude]. É só a mim que isto parece estranho?

Falta de exigência

Ou Carvalhal no Sporting. Até pode ser que me engane, mas tenho muitas muitas dúvidas. JEB, definitivamente, faz parte do problema e não da solução. E a solução, em primeiro lugar, é psicológica: cultura de responsabilização.

Bom Dia



Há festa na aldeia, A. Melo Alvim

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Irritou-me tanto que me esqueci do título

Bancos apoiados pela Administração Obama deverão distribuir 30 mil milhões em bónus . O ser humano caracteriza-se cada vez mais pela incapacidade de aprender com os seus próprios erros.

Bom Dia


O Homem do Violino, A. Melo Alvim

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Um dia havia de acontecer...

Guten Morgen




Berlim, Outubro de 2007


Há 2 anos cumpri um dos meus sonhos no que toca a viagens: Berlim. Foi das cidades mais excepcionais que conheci na Europa e aquela onde senti o maior peso da História. Hoje adoraria estar naquela cidade e festejar os 20 anos do queda do Muro, sendo certo que quem vai a Berlim não deixa de farejar e procurar, em cada recanto, vestígios da RDA e de um passado recente. Nessa impossibilidade, sobraram-me os vários documentários, reportagens e fotos que vi e li recentemente que, demonstram bem que, apesar de todos os erros cometidos depois de 1989 estes não chegam, nem por sombras perto daqueles que foram cometidos antes dessa data.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

E depois do adeus?

E pronto.Não havia necessidade de ter passado pelo que passou esta época. No final da última estava mais que esgotado o ciclo de Paulo Bento. Tenho para mim que se se tivesse lidado de frente com a derrota na Taça UEFA contra o CSKA Moscovo, tinha-se mudado uma forma de estar em Alvalade que impederia a política de impunidade que se viu cristalizada depois: sempre que o Sporting tinha que se agigantar, acagaçava-se. Isso e presidentes que tinham (e têm) medo de o ser e um balneário que é mais infiltrável que a CIA no auge da Guerra Fria. No entanto, e ainda assim, Paulo Bento sobreviveu durante um período considerável dando-nos algumas alegrias e, em dois campeonatos, pelo menos, mais não fez porque não tinha que o fazer. Mas tudo tem o seu tempo e era notório, já no fim da época passada, que a máquina estava a precisar de mudar. Não será apenas Paulo Bento o responsável, mas penso que não acontecerá mais nada a mais ninguém, o que é pena. Por isso, se lamento alguma coisa, é que um profissional como Paulo Bento não tenha percebido que as condições para continuar já não existiam há algum tempo e que podia ter saído, se não pela porta grande, pelo menos por uma porta maior. Apesar de tudo, desejo boa sorte para o futuro e que encontre um clube onde, sabendo delimitar melhor os seus ciclos, volte a ser feliz.





Ontem a RTP2 passou um documentário sobre o Muro de Berlim a horas impróprias. Ainda assim, e estoicamente, vi-o. E a dada altura emocionei-me. Era impossível não o fazer quando se mostravam imagens do primeiro posto de fronteira que abriu a fronteira (Bornhomerstrasse) e da cara de felicidade das pessoas que davam os primeiros passos para a liberdade. Como exemplo, ouviu-se um alemão que, mesmo anos passados, tendo sido um dos primeiros a atravessar a fronteira, ainda chorava de alegria pela recordação.

Ainda a propósito do Muro e tal como se sublinha no Arrastão (a história repete-se, primeiro como tragédia, depois como farsa), sabe-se que a propósito dos MTV Music Awards, aproveitando os 20 anos da Queda do Muro, os U2 vão dar um concerto grátis na zona da Porta de Brandenburgo e que, para isso, vai ser necessário construir uma vedação naquela zona. Até poderia dizer que se percebe a intenção de separar quem tem bilhete e quem não tem, mas não se percebe. É uma questão de (mau) gosto. E é uma questão a que os U2 já nos têm habituado (esta saramaguização de Bono e sus muchachos é contínua - não questiono a qualidade artística mas não tenho paciência para as pessoas) com as suas digressões pelo politicamente correcto mas com acções na lógica do Frei Tomás (a questão dos impostos na Irlanda vs responsabilidade social, a pegada ecológica vs consciência ambiental, etc).

Bom Dia


A Raiz da Liberdade, A. Melo Alvim